moro no pé de uma serra
mas nunca me parei pra refletir
sobre o que isso significava
a não ser
pela distância que levava até a faculdade
podia, com facilidade,
ir andando até Maranguape
com uma mochila nas costas
alguns litros d'água
e uma conversa agradável
- caminhar pelas praças
e sentir o pôr do sol em mim
podia, com brilho nos olhos
pegar meu mochilão
(e o primeiro ônibus que passasse)
e ir até a beira do mato verde de Pacatuba
com minhas poesias preferidas
uma lanterna e muitas pilhas de reserva
e todas as canções de Belchior na cabeça
(e na ponta da língua)
pra debaixo de uma barraca qualquer que levasse
mas meu ônibus chega
é o único na próxima meia hora
subo e vou na direção contrária dos meus pensamentos
no caminho
vou no ritmo do balanço dos buraços da cidade e escrevo
escrevo pra não esquecer de pensar novamente.
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